6 de dezembro de 2016

Palheiro curto



Nós sentamos para descansar em um oásis florestal em meio a uma quase-infinita campina amazônica e dali fizemos nossa casa por quatro noites. As árvores eram nossos móveis e o céu nosso teto. Ali comíamos, conversávamos e recebíamos todas as visitas com um sorriso no rosto e um feixe de luz da lanterna. Sabíamos que estávamos na maior e mais bela das casas tropicais, e por isso a alegria. Mas a alegria não era felicidade, ao contrário. Tão breve quanto a fumaça de um palheiro acendido na floresta úmida, essa casa sumirá sob as águas da incapacidade humana e só o que restará é uma lembrança sem cor em uma memória com os dias contados.

Parque Nacional dos Campos Amazônicos, Rondônia, Brasil.
Outubro de 2014.





22 de janeiro de 2016

Coluna dorsal



A medula da metrópole é feita de concreto. As sinapses passam por ela sobre rodas, retroalimentando a razão da nossa existência: andar por aí...


Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Janeiro de 2016